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Orelhão

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Written by ouvirvc

agosto 29th, 2008 at 10:37 pm

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7 Responses to 'Orelhão'

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  1. Hoje senti saudades do meu pai…

    Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. Lembrança nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes. Lembrança nostálgica de coisas passadas. Esse é o significado da palavrinha, “saudade”.
    Mas quando é por alguém querido que já não tá mais neste mundo… Oh saudade doída não!?
    Quem tá passando por isso ou já passou sabe do que eu tô falando…
    Curiosamente no significado da palavrinha “saudade” tem a palavra lembrança.
    É mesmo?
    Então podemos substituir os sentimentos de pesar e nostalgia que a saudade nos causa pelas boas lembranças que temos do tempo em que tínhamos aquela pessoa conosco? SIM. Nem que seja por um breve instante, podemos SIM.
    Trazer a memória esses momentos nos dá um certo alivio, conforto e consolo…
    Então me vêem a memória os bons momentos que tivemos juntos em família. As viagens que fizemos num País lindo lá da África, o ótimo exemplo de honestidade que nos deu, o seu respeito pelo ser humano independentemente da cor da pele e principalmente o amor e respeito pelo Deus criador de todas as coisas.

    Hoje senti saudades do meu pai…

    Maboque

    1 set 08 at 9:41 pm

  2. O Deserto.

    Ao ouvirmos falar em deserto a sensação que temos é de um lugar extremamente hostil, árido, quente demais de dia mas muito frio a noite. O deserto é seco, pouca ou nenhuma vegetação, quase inabitável. É aquele lugar onde não queremos estar.
    Durante nossas vidas, há momentos em que passamos por desertos: Uma doença, um acidente que resulta numa deficiência física ou mental, o desemprego, a falência, decepção amorosa, a cadeia, desanimo, algum tipo de violência sofrida, a morte de alguém querido, sofrer alguma injustiça, calunia, inveja, a traição, o amigo da onça…
    É certo que no decorrer de nossas vidas passaremos por algum deserto. Alguns se perguntam: Porquê? Justo comigo que não faço mal a ninguém. Não merecia isto e por ai vai. Esta reação é compreensível pois, o deserto não é um lugar fácil.
    No entanto o deserto esconde vida, água, riquezas. Lá também chove. Existem Oásis. Há muitos recursos naturais como o petróleo, ouro, prata, ferro e outros.
    Da mesma forma, nos nossos “desertos” podemos encontrar a vida, luz, alivio, água e riquezas. Se soubermos aproveitar esses momentos para nos examinarmos, percebermos o quanto somos pequenos naquela imensidão, aprendermos a “gastar” nossas vidas vivendo um dia após o outro, entendendo que as vezes é mesmo necessário deixar para amanhã o que não devemos fazer hoje, mas também compreendendo que há coisas que não devem ser deixadas para amanhã e serem feitas hoje, como o olhar humano para o próximo, o sorriso, a compreensão, o perdão e principalmente, deixarmos de ser os maiores predadores de nós mesmos…

    Você está passando por algum “deserto”?
    Qual é o seu deserto?

    Monica

    9 set 08 at 9:34 pm

  3. Refleti na frase escrita pela Monica …”deixarmos de ser os maiores predadores de nós mesmos”. Lembro que muitas vezes a maior parte dos nossos problemas não existem realmente…são fruto da nossa ansiedade ou então não são da profundidade que nós o tornamos. Como a mente humana pode ser destrutiva as vezes…pq muitas vezes nos cobramos tanto..quantas culpas.
    Mas também lembro dos que superaram deficiências físicas…que lutaram e alcaçaram sonhos…sim nós podemos conquistar muitas coisas se quisermos. Uma professora minha costuma repetir esta frase …”nós somos o que pensamos, então pense bem”. Talvez seja assim mesmo, talvez nós não sabemos o quanto nós podemos…com um pensamento…com a nossa força de vontade.
    Seja como for…vamos acreditar que a vida é e será muito melhor

    Ni

    11 set 08 at 6:22 pm

  4. A LIÇÃO DE DORALICE

    Perdão, Doralice. Na verdade, eu estava cego. Preocupado com os males do corpo, esqueci seu espírito, mais doente ainda. Como pude descuidar-me das feridas da alma, se naquele dia, quando você se obstinava contra seus pais, traía seu sofrimento? É o eterno engano dos cirurgiões, que palpam tumores e não se lembram de que há um coração oculto vibrando em ânsia, sonhos e sofrimentos.
    Você tentou suicidar-se bebendo soda cáustica. Era o que tinha à mão, na modesta cozinha onde sua mãe passava os dias.
    Fiquei imaginando quais problemas tão graves a levariam, aos 16 anos, a desistir da vida. Que choques emocionais, conflitos de sentimentos, teriam ferido tão profundamente o cerne de sua própria existência, ainda tão tênue e indefinida?
    Porquê você não respondia aos insistentes apelos de sua mãe? Por quê? Procuraria saber, quando não houvesse mais perigo e você estivesse livre das dores físicas. Fosse qual fosse o motivo, não seria tão grave assim. Você chegando à idade adulta veria como é banal e sem importância o que parece grave e assustador na juventude.
    No momento, precisava salvar-lhe a vida. Você tinha a boca, o esôfago e certamente o estômago queimados. Não conseguia engolir, babava. Era preciso fazer outra boca no abdome. Você não teria mais paladar, não conheceria o sabor dos pratos, não poderia beber água quando tivesse sede. Os alimentos seriam jogados diretamente no estômago.
    Sob o efeito do anestésico, você dormia serenamente. Lembro-me que parei alguns minutos, o bisturi esquecido na mão, a contemplar seu corpo jovem, tão belo e senti remorsos, como vândalo a desfigurar suas formas perfeitas. Um traço de sangue riscou seu ventre. O estômago estava queimado e retraído. A princípio pensei em alargar o esôfago. Passaria um fio pelo nariz, que seria apanhado através da abertura do estômago. Amarraria sondas cada vez mais grossas até dilatá-lo completamente.
    Esperança vã. O esôfago estava fechado. Teria de retirá-lo e substituí-lo por um pedaço do intestino. Uma ponta seria costurada na boca e a outra no estômago. Operação grave. Deveria abrir o pescoço, o tórax e o abdome. Era preciso retirar uma costela. O pedaço de intestino iria passar por trás do coração. Você necessitava estar bem preparada: corrigir a anemia e esterilizar os intestinos, destruindo os micróbios.
    Luta árdua de horas. Quatro cirurgiões, dois litros de sangue, vários litros de soro. Tubos grossos de borracha furavam-lhe o peito, entre as costelas. Aparelhos de vácuo mantinham pressão negativa nos pulmões, garantindo a respiração.
    Quando tudo ia se ajustando, você contraiu pneumonia. Tossia a todo o instante. A sonda do nariz, que levava alimentos além das costuras e era sua garantia, saíra num acesso de tosse. Os pontos forçados deram em abscesso. A infecção abriu a sutura. A comida não ia ao estômago, escapava pelo pescoço. Longos dias de penosos curativos, mas a fístula não fechava. Você precisava ser operada novamente.
    Três horas foram gastas para consertar as emendas e passar novo tubo.
    Tínhamos uma grande aliada: sua juventude. Em pouco tempo você se restabelecia, tudo ia bem. De repente, nova dificuldade. A comunicação que se abria no estômago começara a fechar-se, mal permitindo a passagem de um pouco d’água. Alimentos eram retidos. Somente nova operação poderia corrigir o defeito.
    Pela terceira vez você desfilou pelos corredores adormecida na maca. Mais duas horas de cirurgia, anestesia, oxigênio, soros e transfusões. Nem parecia mais a mesma, quase caricatura do que fora. Magra, olhos salientes, rosto afilado, destacando o nariz. E novamente você triunfou, resistiu, restabeleceu-se rapidamente.
    Curta alegria. A nova passagem começou a estreitar-se pouco a pouco. Você precisava ajudar com a mão, comprimindo com força o bocado de comida, para forçá-lo a descer. Por fim, só conseguia ingerir líquidos. Radiografias mostravam o estreitamento fechando-se cada dia mais. Eu deveria operá-la pela quarta vez.
    Agora tudo era mais difícil. Foram horas de trabalho penoso. Tecidos duros, irreconhecíveis, atravessados por cicatrizes em todas as direções. Terminada a operação, a passagem ficara ampla e fácil. Felizmente, tudo correra bem.
    Agora você engolia qualquer alimento sem dificuldade. O pedaço de intestino posto no lugar do esôfago desempenhava perfeitamente sua nova função. Os alimentos deglutidos passavam rapidamente ao estômago sem dificuldade. Você começava a ganhar peso e força recuperando os doze quilos perdidos.
    Seis meses internada, quatro vezes operada, trinta radiografias, seis litros de sangue, muito mais do que possuía em seu corpo, dias e noites de cuidados e dedicação de médicos e enfermeiras, era o balanço sumário de sua cura. Apressei-me a dar-lhe alta, satisfeito pelo resultado do enxerto e por vê-la retornar à vida. As minúcias da técnica, as complicações, o funcionamento do novo esôfago, absorviam minha atenção.
    Ao despedirmo-nos pedi que voltasse dentro de três meses para novas radiografias de controle. Você que tanto sofrera e raramente ria, deu-me o prêmio do sorriso. Agradeceu. Foi embora.
    O êxito do caso animava-me a apresentá-lo num próximo congresso médico, como coroação final. Porém reservava para si o último ato. Em sua breve existência na pequena experiência de sua maturidade, veio ensinar a homens velhos e calejados que é inútil reparar o corpo sem lancetar também os abscessos da alma.
    Dois dias após haver nos deixado, recebi chamado urgente para ir ao pronto socorro. Você se suicidara bebendo formicida. Ao afastar o lençol branco que a cobria, admirei-me de vê-la tranquila, quase feliz. Peguei sua mãozinha inerte, passei os dedos por seus cabelos úmidos, por seu rostinho ainda quente, como fizera tantas vezes. Baixei a cabeça e em profunda tristeza, pedi-lhe perdão.

    (Extraído do livro “No leito da Enfermidade” de Eleny Vassão)

    Wanda

    11 set 08 at 11:55 pm

  5. Legal este texto de Doralice. Levou-me a recordar o tempo em que percorri corredor de hospital em visita a um paciente isto por um periodo de 1 ano.
    Constatei a falta de humanidade(amor ao proximo) por parte de alguns medicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que ali apareciam. Parece que obrigados para cumprir tabela, tratavam o paciente sem nenhuma compaixão. Esquecem que ali está um ser humana que sente, pensa e que sofre, precisando muitas vezes de uma palavra de carinho e de animo para superar aquele momento.
    As vezes a cura da alma é mais necessária para que se tenha sucesso com a cura fisica.
    Pior do que isso constatei a falta de preparo profissional, ocorrendo erros básicos de procedimentos.

    Manu

    13 set 08 at 6:48 pm

  6. Preciso desabafar!!
    O que está acontecendo com a política no nosso país??
    Moro em São Paulo e este ano fiquei mais assustada com o perfil de pessoas que se entendem capazes de exercer um cargo público com a séria e quase sagrada missão de representar os interesses e necessidades de um complexo grupo de pessoas, que chamamos de sociedade.
    Não quero cair no erro do preconceito e esta não é mesmo a intenção, mas o que é isso?!!
    Temos “cantores”, “apresentadores de tv”, “fanáticos por futebol”, políticos investigados pela polícia e uma séria de figuras que parecem ter saído de uma revista em quadrinhos.
    Parecem frustrados em suas profissões, cujo plano de carreira é conseguir uma boquinha às custas da população. População carente do básico: comida, teto, emprego, dignidade, saúde…..
    Fico com vergonha de assistir a propaganda eleitoral, que mais parece o picadeiro de um circo de horrores.
    “Quem vê cara, não vê coração”, mas cabe a cada um o bom senso na hora de escolher quem serão os nossos representantes!

    Tita

    20 set 08 at 11:02 pm

  7. Rotina.

    Após ouvir enumeras reclamações dessa tal de rotina, resolvi ir ao pai dos burros para entender o porque ela incomoda tanto.
    Segundo o Michaelis em uma das suas definições rotina é: Hábito de fazer as coisas sempre da mesma maneira, maquinal ou inconscientemente, pela prática.
    Gostei desta definição porque ela cita a prática como parte da rotina, ou seja, tudo aquilo que temos prática em fazer é parte da nossa rotina, logo fico pensando será que a rotina é tão ruim?
    O nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossos afazeres em casa, tudo é rotina! Sim é mesmo, porque todas estas coisas passaram pelo aprendizado e pela prática, logo se tornou rotina. Quero enfatizar a questão do aprendizado, pois entendo que assim veremos a rotina com outros olhos. Pense no primeiro dia no trabalho, tudo era novidade não sabíamos nada e com o tempo aprendemos e virou rotina. O primeiro namoro ou então um novo namoro é até engraçado de lembrar, ficamos tão sem jeito com medo até de falar, mas depois aprendemos a lidar com a pessoa, sabemos o que ela gosta e então reclamamos porque virou rotina. Entendo que é necessário que algumas coisas sejam rotinas, isto significa que nós aprendemos a lidar com elas, pegamos prática. Sendo assim podemos explorar e aprender novas coisas e também renovar aquelas já aprendidas. Não reclame da sua rotina a use em seu beneficio, porque foi algo que você precisou aprender para conquistar.

    Dani Dias
    18.10.2008

    Dani

    18 out 08 at 2:32 pm

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